Sabe aquela sensação de que o mundo tá desabando na sua cabeça?
Então...
Ok.
Eu gosto de ser gorda, feia e feliz. Comendo o que eu quero, sem submeter-me a ginásticas loucas (tá, um pouco de dança faria bem, se eu tivesse dinheiro pra pagar nesse momento), dietas de fome, e produtos milagrosos. Be yourself is all that you can do, já diria o sábio Chris Cornell.
E ponto final.
Pois bem, lá vou eu, bela e formosa, rumo a uma entrevista*.
Sapato apertado pelas 2 meias finas, e 2 de algodão, pra aguentar a friaca das 7:30 da manhã e, claro, salto alto. E isso plus a combinação fatal de calçadas esburacadas e pé torto. O resultado, claro, foi um belo tombo. Daqueles em camêra lenta. Voei. O pé esquedo virou, e o pé direito, em solidariedade, se enfiou num buraco. E eu, inteira, rumei ao chão. Haviam 2 rapazes e um senhor conversando bem ao lado da minha queda. Os dois rapazes viraram de costas (para rir, obviamente), e o senhor, todo solidário, veio na minha direção: – A senhora está bem?! – perguntou ele, com aquele jeito de quem está prestes a gargalhar. – Ahn-rã. – foi o que consegui responder. 2 segundos depois, quando eu ainda tava a uns 6 metros do local, ouvi as risadinhas. E eu mesma me contive para não sair gargalhando por aí, rindo da minha estupidez.
Diz o ditado que quem não morre não vê Deus. Pois bem, quem não cai, não se levanta. (ai)
Rá!
* A entrevista. Bem, durante a entrevista, ouvi pérolas do tipo "Na época dos militares o Brasil era um lugar bom pra se trabalhar. Ninguém ousava questionar nada. Isso é coisa dessa geração." ou "Pessoas mais intruídas questionam muito. O importante é fazer, o porquê não cabe a você decidir".
Portanto, não se espante se não der em nada.
Todo mundo cansado, olhando pra tevêzinha, na esperança de ficar distraído, e o tempo passar mais rápido. Começa o trailer de Transformers. Três meninas, com não mais do que 17 anos cada, seguem o seguinte diálogo:
- Nossa, que lixo é esse??
- Não sei, mas esses filmes de hoje em dia são pééééééssimos.
- Ahhh! Já sei! É Transformers. Eu vi o trailer. Mó lixo.
- Mas, tipo, como é?
- Ah, é umas coisas, tipo Power Rangers, tipo, os carros viram robôs, e tipo, tem uns que querem destruir o planeta, e, tipo, outros não querem, tipo assim.
- Ah, saquei!
- Mó lixo.
- É, tipo, eu odeio Power Rangers.
Tranformers condenado a ser uma cópia de Power Rangers foi muito pra mim.
Ou eu tô muito ranzinza, ou Nelson Rodrigues tinha razão: Jovens, envelheçam!!!

E eu fui ver Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo.
O que eu posso dizer? Ruim? Não. Ótimo? Não. Bom?? Nah.
3 horas de filme e no final você pergunta: “Hein?! Cadê os meus 7,50???? (estudante,que fique claro)”
O filme é, vá lá, bonzinho. Tem o Geoffrey Rush, que eu gosto bastante, e que tá arrasando na série, tem o Orlando Bloom, que é um desses novos que eu simpatizo bem, mas que tá me devendo uma desde Cruzada (quem deixou ele fazer aquilo?), tem o Keith Richards, impagável, fazendo o pai do Johnny Depp. Ah é! O Johnny Depp. Onde ele estava durante todo o filme mesmo? Enganação das enganações, o Jack Sparrow é mero coadjuvante no episódio final! Bêsurdo! Faz lá as piadinhas dele, e você até ouve uma risadinha ou outra, sempre discreta no canto da sala (e olha que essa estava cheia), mas, olha, digo isto com dor no coração: deixou a desejar! E isto vem de uma pessoa que passou uma hora em pé na fila.
Ah, você quer ver o filme?
Conselho de amiga: vai ver depois que passar o boom, senta bem confortável, leva um balde de pipoca, chocolate, e finge que tá na sala de casa. Não espera sair em DVD, porque vai ser ainda pior.
Sociability is hard enough for me