Desde muito criança eu não consigo andar cem metros sem tropeçar, virar o pé, ou qualquer coisa do tipo. Nunca consultei nenhum ortopedista para saber a origem do fenômeno, mas também isso nunca me incomodou muito. As vezes incomoda quem está comigo, mas isso eu me finjo de desentendida.
Pois bem, lá vou eu, bela e formosa, rumo a uma entrevista*.
Sapato apertado pelas 2 meias finas, e 2 de algodão, pra aguentar a friaca das 7:30 da manhã e, claro, salto alto. E isso plus a combinação fatal de calçadas esburacadas e pé torto. O resultado, claro, foi um belo tombo. Daqueles em camêra lenta. Voei. O pé esquedo virou, e o pé direito, em solidariedade, se enfiou num buraco. E eu, inteira, rumei ao chão. Haviam 2 rapazes e um senhor conversando bem ao lado da minha queda. Os dois rapazes viraram de costas (para rir, obviamente), e o senhor, todo solidário, veio na minha direção: – A senhora está bem?! – perguntou ele, com aquele jeito de quem está prestes a gargalhar. – Ahn-rã. – foi o que consegui responder. 2 segundos depois, quando eu ainda tava a uns 6 metros do local, ouvi as risadinhas. E eu mesma me contive para não sair gargalhando por aí, rindo da minha estupidez.
Diz o ditado que quem não morre não vê Deus. Pois bem, quem não cai, não se levanta. (ai)
Rá!

* A entrevista. Bem, durante a entrevista, ouvi pérolas do tipo "Na época dos militares o Brasil era um lugar bom pra se trabalhar. Ninguém ousava questionar nada. Isso é coisa dessa geração." ou "Pessoas mais intruídas questionam muito. O importante é fazer, o porquê não cabe a você decidir".
Portanto, não se espante se não der em nada.