
É bom? - a pergunta que todo mundo me faz, sabendo que eu adoro o García Marquez, e sabendo que esse pra mim é um dos melhores romances ever. Olha, é difícil dizer se gostei. Tudo é tão pessoal pra mim, que fica difícil ter uma opinião fria sobre o assunto.
Ok, vamos por partes. A fotografia é linda. A luz é exatamente como eu pintava ao ler o livro. O elenco é muito bom. A Fernanda Montenegro, que muita gente falou mal, pra mim está sublime como a mãe superprotetora, triste e solitária. Ela se entrega tanto à personagem, que comove. Ninguém poderia fazer Transito Ariza tão bem quanto ela. Ainda no clã dos Ariza, tem o Javier Bardem, que dispensa qualquer apresentação, e que de novo está num papel que parece ter sido feito sob medida. Incrível como ele acerta a mão, ao deixar

Agora a tal da Giovanna Mezzogiorno (que eu nunca ouvi falar), olha, parafraseando Anna Toledo: essa não engana nem como atriz ruim. Achei fraca a atuação dela. Fermina Daza deveria ter sido feita com muito mais alegria, com muito mais vivacidade. Afinal foi isso que fez os dois homens se apaixonarem por ela. Foi isso que fez Florentino Ariza esperá-la por cinquenta e um anos nove meses e quatro dias. E não aquele olhar de peixe morto, aquela falta de tempero. Enfim, deixou a desejar.
Fora isso, a trilha sonora da Shakira é bem bonita. O roteiro eu achei bom. Não ótimo, mas bom. Deixou passar alguns detalhes que teriam feito a história mais coerente. Mas eu entendo que seja difícil filmar um romance como esse, em que mais da metade do texto é dedicado a narrar detalhes da cena, e não ao diálogo, propriamente dito. Mas, ainda assim, de zero a dez, deixo um sete, de lambuja. Dá pra passar, mas não com louvor.